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'Mouro' é a nova revista teórica do Núcleo de Estudos d'O Capital. Ela foi concebida para ser uma contribuição para o estudo e análise da realidade contemporânea sob as várias óticas pertinentes ao Marxismo e também da trajetória do Socialismo. O Núcleo de Estudos d'O Capital foi fundado em 10 agosto de 1992 com o objetivo de reunir estudiosos do Marxismo no âmbito da esquerda operária. Fiel ao espírito do Manifesto Comunista, o grupo considera que os marxistas nunca constituem um partido separado da classe trabalhadora, ao contrário, devem produzir reflexões que sirvam de apoio à prática política socialista. Este primeiro número tem como dossiê o ano de 1968, que foi caracterizado por uma importante ruptura na história contemporânea. Todavia lançamos uma abordagem pouco explorada nos artigos e documentos sobre aquele evento, a saber: as opiniões contraditórias que foram externadas na época não só por conservadores, mas também por militantes comunistas e operários que defendiam uma idéia de revolução baseada na classe trabalhadora e não apenas numa juventude temporariamente deslocada de seu efetivo lugar da sociedade burguesa. |
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Entrevistado: Mau, vocalista da banda de punk rock Garotos Podres Trata-se de uma entrevista com o Mau, vocalista da banda punk dos anos 80 Garotos Podres, que também é historiador. Ele fala de cultura e músicas jovens, em particular punk e skinhead, diferenciando as diversas tendências (dos comunistas aos neonazistas). Faz uma crítica ao movimento 68, além de outras coisas sobre política internacional. Ele foi entrevistado por Lincoln Secco (historiador da USP), Ciro Seiji (tecnólogo) e Agnaldo dos Santos (sociólogo). Nossa conversa se iniciou com um questionamento ao Mau sobre como a cultura punk e skinhead compreendia as rebeliões juvenis dos anos 1960, em particular o chamado “Maio de 68”. Para Mau, os movimentos estudantis de 1968, principalmente o de Paris e o da Califórnia, foram movimentos com recorte eminentemente pequeno-burguês, de jovens de classe média que não representavam o conjunto dos jovens trabalhadores da época, daí a indiferença de boa parte desses jovens àquele movimento. |
A construção histórica da juventude e a ascensão da “juvenilidade” Nesse aniversário de quatro décadas do chamado Maio de 1968, quando jovens estudantes franceses promoveram movimentos de contestação à sociedade de consumo ocidental (com seus equivalentes na então denominada “Cortina de Ferro”), torna-se bastante pertinente refletir sobre essa categoria social tão festejada por amplos segmentos da sociedade, do Estado até corporações empresariais,que classificamos genericamente de Juventude. Podemos, numa reflexão desse tipo, verificar até que ponto ela possui efetivamente componentes libertários ou, ao contrário, traz consigo grilhões implícitos e extremamente sutis para cidadãos de todas as faixas etárias, mas principalmente para os próprios jovens.
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As revoluções derrubam as máscaras provisoriamente. Depois, outras se impõem ou as mesmas são restabelecidas. Os bolcheviques tomam o poder e Lenin pode proclamar que até a cozinheira cuidará dos negócios do Estado. Mas na primeira reunião do novo governo, alguém terá que servir o café. No filme Les Amants Réguliers de Philippe Garrel há uma seqüência em que um jovem, depois de uma madrugada de barricadas e fugas, chega em casa cansado e sujo. Deita-se no sofá e adormece enquanto sua velha mãe lhe retira as botinas para limpá-las. A câmera se detém longamente nas botas...
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Não é de hoje que existe uma obsessão por parte de muitos que moram longe daquelas terras, mas as encaram como um armazém de riquezas, além de uma prateleira de curiosidades que podemos, ao alcance da mão saciar, nosso gosto pelo exótico. As águas e terras ribeirinhas, já faz muito tempo, tem outros usos que não apenas aqueles de tomar banho, pescar, saciar a sede, atravessar, se locomover. As grandes obras hidrelétricas e seus idealizadores enxergam os rios como algo que pode e deve ser barrado. A história das hidrelétricas no sudeste brasileiro é inequívoca e implacável no registro material e concreto (muito concreto) da transformação de rios em uma sucessão de “escadas” de reservatórios. O que chamávamos de rios já não o são pois suas dinâmicas foram alteradas. Há uma obsessão em barrar a Volta Grande do Xingu.
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Amazônia: Na Amazônia, a moto-serra não serve apenas para derrubar árvores. “Conduz teu carro e teu arado sobre os ossos dos mortos” é um dos provérbios do inferno mais posto em prática na “floresta urbanizada”. Porém, se há um inferno, ele não é apenas verde. Os demônios não seriam verdadeiros pintores. O inferno não pode ser apenas verde, de acordo com um outro provérbio segundo o qual “o tolo não vê a mesma árvore que o sábio”. Na Amazônia, o rio não é considerado apenas como fonte de vida – o rio que comanda a vida, na expressão de Leandro Tocantins - ele é também o depósito de tudo o que a sociedade rejeita e do que ela destrói. Inclusive dos restos humanos, no grau mais extremo de desumanidade. Mas seja de modo contínuo, ou concebido como um processo de evolução por estágios qualitativamente diversos, as relações desumanas com o ambiente, meio ou fim, são parte da estrutura social amazônica.
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Em Depoimento, Fúlvio fala sobre o pai em entrevista " A Itália se unificou devido aos esforços de Mazzini e Garibaldi, não do rei. Não foi a burguesia italiana que não tinha interesse na unidade, quem tinha interesse era o povo que deu apoio a dois revolucionários, porque Mazzini e Garibaldi eram revolucionários ao seu modo, eles fizeram uma revolução nacional que demorou 50 anos para se realizar, mas se realizou e terminou com a conquista da unidade da Itália, dividida desde os tempos bizantinos, da queda do Império Romano".
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A dinâmica de um pensamento crítico. Caio Prado Jr. (1928-1935), de Paulo Henrique Martinez, resultado de sua tese de doutorado, vem a lume pela Edusp (2008). O trabalho se dedica pacientemente à compreensão da experiência na base das escolhas intelectuais e políticas de Caio Prado Jr. Os anos que antecedem a concepção de Formação do Brasil contemporâneo merecem atenção do estudioso, que parece não querer deixar escapar nada que possa lançar luz à emergência da sensibilidade social do indivíduo em questão e à produção social do pensamento - contemplando inclusive a vivência no Colégio São Luís do ainda menino Caio Prado Jr., e a conformação de valores que modelam disposições como disciplina, obediência, senso de hierarquia, frutos de uma conduta jesuítica desde cedo incorporada.
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O Sentido da História na Revolução de Caio Prado Júnior Muito embora uma alentada biografia do historiador e militante comunista Caio Prado Júnior a obra Caio Prado Júnior: o sentido da revolução, do também historiador e professor da Universidade de São Paulo Lincoln Secco é uma detalhada descrição e apurado relato do surgimento do marxismo no Brasil.
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Engenharia e poder Nos fins do século XIX, São Paulo possuía apenas duas escolas de engenharia: o Mackenzie College e a Politécnica. Numa sociedade que se desenvolvia rapidamente, o conhecimento técnico e científico dos engenheiros tornava-se cada vez mais importante. Ainda assim, os construtores da nova ordem tiveram de disputar idéias e espaços para garantir a sua aceitação social.
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Uma história do rio Tietê No primeiro meio século de regime republicano, os paulistanos de nascimento ou por adoção, assistiram à transformação de um rio cheio de vida, com peixes abundantes em suas águas, pássaros e animais em suas várzeas, em um canal estreito e sujo, dominado pelos interesses da industrialização.
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Juventude em formação Vale a pena conhecer as informações e reflexões trazidas por: Agnaldo Santos, sobre o desenvolvimento histórico do capitalismo; Hélio da Costa, que visita a organização da classe trabalhadora e o movimento socialista no Brasil de 1945 a 1964; Helena Abramo, na discussão sobre a singularidade de atores juvenis nos espaços públicos e lutas políticas no momento histórico atual; Elisa Guaraná, em um mergulho sobre a construção da categoria juventude no sistema capitalista; Valter Pomar, com uma leitura da história do PT, na história do Brasil; e Wagner Romão, recuperando, também pela história do partido, a presença da juventude em diferentes documentos.
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